terça-feira, 23 de julho de 2013

Pardal rouco



Disseram-me que não sou digno desta jaula
Apesar das prisões de ventre que tenho,
Do que me adiantar ter estas asas
Se é dos pés que vem o meu pouso?
Desse chão que me pisa aos poucos
De um voo rasteiro que derruba
Os saltos de quem se julga solto.

Nessa morada revestida de gaiola
Descubro a penúria de ser Ave-Maria
O quanto é penoso assobiar pra dentro
Se o desejo entala o choro piado,
A pegada virou piada descalça
Para quem penaliza suas quedas
E busca a piedade acima de si.

Ontem jurei que queria ser sempre seu
Mas só depois descobri o tanto do céu...
E lá vou eu nesse êxodo de mim
Migrando aos poucos por enquanto
Que nem sei porque tão alto,
Beijei meu último asfalto por hoje
Já rastejei muito solado aqui
O que me resta é só um repouso
Pois é do descansar que tento ser longe.

Talvez este meu ir não vá além
É uma pena, alguns passam e vão
Outros voam no pesar das plumas.
O ninho ostenta ser um lugar seguro
Mesmo quando não se quer aterrissar
No ar rarefeito de quem o ofega,
Permita-me ser alado só mais uma vez
Aos ares em luta ou pelo menos em luto.

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