domingo, 29 de dezembro de 2013
Textosterona
O poema pode começar despercebido
Sem uma cláusula a favor do público
Escreve-se e assim toma certo partido
Das coisas plenas que o tornam único,
Um poeta morre a cada verso que faz
Uma guilhotina de palavras vem à tona
Sobrevida a uma memória lá de trás
Que profetiza a poesia em sua persona.
Não se cria tantas expectativas nas letras
Tão miúdas que são e mesmo assim matam,
Lançam mãos frágeis sob uma tinta preta,
Talvez pelo martírio que é aos que amam
Nem que seja no intervalo duma solidão,
O que vale é pressentir além do eu ao redor
Cheio de ego que acorrenta o tal coração
Dito e cujo no encargo de pulsar-se menor.
A razão diz o que a poesia prefere mentir
É desnecessário atrelar saberes e sabores
Nossa vida tenta ser vasta até no seu partir
Como se a morte fosse o fim destas dores,
Mal sabe eu que nem todos saberão também
Mas tento, na teimosia de ser pecador aqui!
Quem me dera fazer toda rima deste Amém
Assim todos os santos virão do enfim surgir.
Clama-se as rimas que fecham tantas lacunas
Nesta costura de carne sob uma alma fonética,
É o som que somos e somamos mais colunas
Vértebra do espinhal entre sangue e dialética
Contraponho as mãos em punhais na escrita
Ela, tão nocauteada na pancada de cada seio,
Nasce um filho desde o sumário até a métrica
Do tamanho rasteiro que beira o lado do meio.
Centrismo de cada ser no núcleo fora do texto
Um pretexto para fabular quem tem seu clímax,
Além do desfecho aberto para todo esse incesto
Une vida e obra para que o sentir infle o tórax,
Escrever pouco cabe na entranha da entrelinha
Somos plágios de nós mesmos de forma única
E não é uma autoria que faz a ideia como minha
Apenas a forma que me entrego ao ler tal mágica.


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