segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A rua de cada verso



Respira ser gente
Nasce bem longe
Num outro tão ali,
Sente-se ao tanto
Chora e silencia
Toda vez, a voz.

Lá está, ninguém
O sangue na rua
Esquina da veia,
Tinge rubro fora
Asfalto de carne
Um rosto e risos.

Olharam, apenas
Era eu ou alguém
Sem identidade,
Agora, indigente
O trânsito calou
Fim do pedestre.

Avenida em mim
Meu monóxido
Átrio carburador,
Os amores, vão
Então eu fico, só
Atropelado assim.

O semáforo pisca
Colore essa dor
De antes, é agora!
Não há socorro
Quem pouco crê
Na cidade pouca.

É nesse tal urbano
Que então mata-se
Aos meros poucos,
Cadáver na estrada
Uma outra rodovia
Da morte acelerada.

Trafega entre nós
Numa contramão
Deixa hematomas
E parte, fiquemos
Freando toda vida
Enfim, acaba-se.

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