sábado, 12 de outubro de 2013

Poemeio



O chão que eu respiro
É o ar no ir do espirro,
A boca cheia de beijos
Dos lábios deste almejo.

Calam-se ai os teus olhos
No fato da foto, eu colho
E encolho em toda altura
Na mentira que tanto jura.

Os dedos murcham agora
É um dia que fica lá fora
Nesta prévia que me arde
Num amanhã que vai tarde.

Quem de vez em pouco
Fez de um silêncio rouco
O que sempre quis em reza
Aos anjos que assim preza.

Não adianta ir em tal atraso
Quando a dívida vira prazo
Tudo vale quando se é nada
Isso tanto ao tonto que fala.

Quantos versos tentei soluçar
Na solução dada a cada par,
Fiz grito de mim para outros
Dei a voz alheia aos monstros
E foi então que me vi noutros.

Carne deste teu espelho feio
Que veste e investe no meio,
Aconselha estas sobrancelhas
A chorarem menos por mais
Para tanta tentação que te traz.


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