segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Poesia às avessas



Sepulto nos garranchos mais uma parábola viril
Independente da ditadura silábica no seio febril
Sou eu enfermo do veneno que embriaga tantos
Vira viral e varal das vestes de todos os santos.

Nosso dogma fervilha a veia da velha prosa
Destas mãos encravadas, brota-se uma rosa
O furúnculo da vida, o cerne dos escondidos
Sem eira nem beira do sussurro aos ouvidos
Furta os léxicos como escriba dos bandidos.

Poesia rasante no lapso da elipse sob a cabeça
Pertencer alheio nos outros para que aconteça,
Estranho eu (re)citar o perder destas façanhas
Para satisfazer todas entrelinhas e entranhas
No abalo sísmico destes amores magmáticos
Um nuance do romance, sejamos dramáticos!

Escrever é algo além de doar palavras ao sentir
É preciso mentir na busca verdadeira de ir e vir
Mesmo em passos mancos, aleijar-se a tal ponto
Em que todas as deformidades virem encanto
Pois assim se fez o ser, existindo por enquanto...

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