domingo, 26 de janeiro de 2014

Pô ética!


A poesia não é explicativa
E se fosse, ela mal serviria.
O poeta nunca se justifica
Pois o erro é não escrever.
O verso às vezes é avesso
Começa-se pelo não-início
Nem todo fim é um término.
A estrofe perde a estrutura
Em cada métrica torta sua.
O porquê da musicalidade
Se a rima vem de um ruído!
O que diz a palavra então
Nada significaria sem nós.
O leitor não pode traduzir,
Não lhe cabe esta função
Ler é ócio do ofício de ser.
Ninguém detém uma arte
Sem o livre-arbítrio de si,
Ao menos minta ser Deus!
De até criar, enfim destruir.

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