quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

The book is on the table-t


Por favor, não compre minha autoria!
Não me enfileire no cume da estante
Sou eu, livro e livre de todos leitores,
Lhe peço: leia minhas feridas também
Sei o quanto dói e apenas as escrevo...
Em tais palavras, mas será que as vivo?
Mal sei viver minha narrativa até aqui!
Imagina ditar o desfecho dos alheios,
Pouco se sabe, muito se aprende hoje
Mas o que letra é essa posterioridade
Vívida em nós, há esperança em tudo
Até mesmo na solidão que vos fala,
Com todo silêncio de um dramaturgo
Que nem sequer justifica todo clímax.
Morto em cada um, vivo no passado
E é assim tropeça entre vidas e obras,
Jamais aceitaria ser mero protagonista
Muito menos da minha história fajuta
Nem sei porque leem como suicídio!
Se a cada exemplar sou materializado
Numa página não-folheada por mim,
São só os outros, eles me detêm fora
Como se estivesse lá, ficcionando-me,
Certo que isso não é mera figuração
Desaconselho a inspiração até escrita
Essa, companhia dos tão sós aí a fora
Venho de dentro, em qualquer luto
Pois toda arte merece ser póstuma...

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