Com todas as refeições ainda está vazio
Vê-se frente ao espelho sempre na feiura,
Mal consegue escovar os sisos profundos
Duma boca ainda morgada que até boceja
O sono não-dormido e a rotina de amanhã.
Eis o despertar da cafeína sob tantas veias
Ainda vive, mas sem tanto motivo para tal,
Triste é aparentar um sorriso de amargura
Como um maço de cigarros que já não tem
Aquela fumaça que cintila um ar cinzento
Poluindo as vísceras e vivendo aos poucos.
Nada lhe resta a não ser esperar fatalmente
Engraxa seus sapatos de pés tão inchados,
A última dose é só uma desculpa discreta
Canta suas piores canções de goela abaixo.
Ficou rouco logo louco sem querer voltar
Mesmo sem nenhum lugar assim ele ficou
Estirado ao chão mesmo no relento de si.
Volta e meia lembra o quanto isso é mal
Principalmente se quer ser como os outros
Que acordam dispostos a tanta falsidade...
Acorrentados entre alguns apertos de mão
Por um cheque com a pior grafia possível,
Bem vindo camarada e seja já decapitado!
Porque só somos o que somos pela cabeça.


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