quinta-feira, 3 de abril de 2014
Inspectro
Viver é o que nos resta afinal
Já é o bastante para tanto nada
Enfim, por que ser identidade?
Não é suficiente apenas existir?
Me deixo aqui comigo mesmo
Sem interferir na rotina afora.
Caibo dentro de mim - sozinho
Não há espaço para ser alheio
Nem mesmo para fingir outro
Do que vale ser humano aqui?
Se só descrevem minha carne?
Como se isso fosse um mérito
Habitar-se nessas entranhas aí
Que há de serem defuntos e só
Nada mais - explicativo em si.
Por favor, não lhe devo favores
E nem tente me cumprimentar!
Logo eu, sem futilidade própria
Poderei proferir palavrão atoa?
Ou simplesmente surrealizar?
Só escrevo e isso não é imortal
Talvez seja mentira ser tão real
Doer-se e descobrir-se ao acaso
Na justificativa que é errar-se.


0 Estranharam:
Postar um comentário