terça-feira, 29 de abril de 2014

Quando os aplausos sangram


Há quem espera um dia ter
Seu rosto pintado à bronze
Ali - sendo a estátua de si 
Centrada no expor da praça
Com toda onipresença cega
Que memoriza o esquecer.
Eu, dito em letras douradas
À base de qualquer mérito
Recuso-me a ser importante
Nestas titulações póstumas,
Se há de ser então eterno
Que seja atribuído a outro!
Pois tudo aqui é futilizado.
É o seu nome naquela rua
Batizando também a escola
Como identidade do meio,
Nego-me toda bibliografia
Qualquer referência do tipo
Que faz de mim - paráfrase
Ou pragueja alguma citação.
O que sou não será heroico
Nem mesmo amanhã: morto
Já me é o bastante ir ao fim,
Digo, morrer sem delongas
Sem essa de monumentar-se,
Pois só de existir para tanto
Já não é algo tão vantajoso.

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